terça-feira, 26 de março de 2019

Grandes promessas, propaganda enganosa e o óbvio: dos gurus à Bettina

Confesso que não assisti ao comercial da Empiricus com a sua funcionária Bettina Rudolph (evitei contribuir com meu clique). Mas, mesmo não tendo assistido, li muitas matérias, posts e vi memes sobre a referida garota e sua habilidade de se tornar uma milionária a partir de um investimento inicial no valor de R$ 1.520,00 (inclusive sobre os questionamentos do economista Samy Dana). 

Faz anos que fujo das campanhas online da Empiricus, que sempre trazem chamadas que prometem "bombar o seu bolso" em um prazo curto. Entretanto, a empresa não é a única que apela para grandes promessas de enriquecimento, que estão mais para propaganda enganosa.  



Temos ainda as grandes promessas de emagrecimento...de embelezamento...de relacionamento para conquistar o homem ou a mulher dos sonhos, entre outras variantes. Todas integram o mesmo pacote.  

Quantas vezes entramos em um site de jornal e vemos um banner cuja mensagem de produto ou serviço promete derreter barriga em 5 dias? Curar câncer com moringa (ou sei lá qual planta)? Ou os banners que usam fotos de celebridades e um texto "bombástico" para "fisgar" sua atenção e seu clique?  (vamos pensar ainda nas promessas de crescimento do pênis ou de se tornar virgem de novo, né?)

O Conar abrir uma representação contra a Empiricus é uma ação esperada frente ao barulho que a campanha produziu. Mas, tem muita publicidade que deveria ser tirada do ar, em função de suas ofertas milagrosas e fraudulentas. E, se olharmos bem, é óbvio que tem alguma coisa que não  cheira bem neste tipo de comunicação. Como Clarice Lispector já afirmou um dia: 'O óbvio é a verdade mais difícil de se enxergar.'   

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

As mil e uma trapalhadas da carta do ministro da Educação, Ricardo Vélez

Por que? Para que? De onde saiu a ideia? Estas são algumas questões que surgem quando paro para pensar nas tais cartas enviadas pelo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, a todas as escolas do Paí. Na primeira, ele inseriu o slogan da campanha eleitoral do atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), e solicitava que os estudantes cantassem o Hino Nacional, fossem filmados e que ainda fosse lida uma mensagem de saudação aos novos tempos de governo. Mesmo que na segunda versão ele tenha corrigido alguns equívocos, como a retirada do slogan,  a ação do ministro continua sendo um erro e um desperdício de tempo, frente a tantos problemas educacionais que o Brasil tem.  

Um dos pontos a serem considerados é a falta de comunicação com as secretarias estaduais e municipais, com o MEC interferindo diretamente na rotina dos estabelecimentos escolares,  tanto públicos como privados. Existe tanta discussão em torno das responsabilidades de cada esfera pública, como vemos nos debates sobre políticas de ensino, que é de espantar esta quebra de fluxo e ausência de diálogo. Segundo reportagem da Folha, "Historicamente o MEC mantém comunicados diretos com as escolas apenas com orientações sobre programas e ações institucionais". 

Outro aspecto que chama a atenção é a falta de um projeto "patriótico" do qual esta iniciativa poderia  fazer parte. Acaba sendo uma ação isolada, só para fazer algum tipo de burburinho nas redes sociais com as filmagens, mas sem começo, meio ou continuidade que ajudasse a concretizar o suposto esforço de "resgate dos símbolos nacionais". 

O ministro parece desconhecer ainda que várias escolas já iniciaram as aulas, ou seja, o primeiro dia letivo de 2019 já passou faz tempo. Será que ele está trabalhando com base em mais um estereótipo de que o Brasil só começa a funcionar após o Carnaval? Espero que não. Na rede de escolas estaduais de São Paulo, por exemplo, as aulas do ano letivo começaram em 1º de Fevereiro. Assim, o sr. ministro está bem desconectado do calendário escolar, pelo jeito.

Por fim, Patriotismo em uma democracia não se desenvolve de cima para baixo, de uma hora para outra. E, até o momento, o atual governo nada fez para proporcionar uma "educação de qualidade" e para a construção do "Brasil dos novos tempos". Vélez deveria se abster de mais trapalhadas pelos próximos meses.