Mostrando postagens com marcador Comunicação e Política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comunicação e Política. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de maio de 2022

A terceira via nas eleições presidenciais e os erros de Doria

* Por Chris Santos

"Sou gestor, não sou político. Eu estou na política". Essa frase pode ser lida na página do Facebook de João Doria Jr. (PSDB), ex-prefeito de São Paulo, ex-governador de São Paulo e, agora, ex-candidato à Presidência da República em 2022, conforme anunciado nesta segunda (23/05).

No twitter, Doria postou: "Saio da disputa à presidência com o coração ferido, mas com a alma leve. Seguirei como observador sereno do meu País. Sempre à disposição de lutar a guerra para a qual eu for chamado. Na vida pública ou na vida privada. Que Deus proteja o Brasil".




Essa desistência confirma a dificuldade dos candidatos à terceira via ao cargo de presidente de entrarem em um consenso para formação de chapa, que abordei no artigo: Apesar da torcida e empenho da imprensa, a terceira via não decola para a eleição presidencial de 2022.

Por mais que os presidentes do PSDB, do Cidadania e do MDB apontem para a senadora Simone Tebet (MDB) como a candidata, ainda sem vice definido (a), o crescimento que ela poderá obter quando a campanha efetivamente decolar deverá ser pífio. Mas, pode ser importante marcar uma posição no cenário político para 2026.

Vamos de volta à análise ao Doria, o "gestor", sua trajetória política é marcada pela ambição acelerada e por "traições". Assim, não existe motivo para ele se sentir traído pelo PSDB e vale apontar nessa trajetória alguns erros de Doria:

1) Doria foi acusado de "trair" seu eleitor quando foi eleito, em 2016, para o cargo de Prefeito de São Paulo, posto que largou 15 meses depois para disputar o Governo do Estado de Sao Paulo. O vice-prefeito, Bruno Covas, assumiu a posição. Foi chamado por seus eleitores de "Pinocchio".

2) Em 2018, tentou ser o candidato do PSDB à presidência, provocou um racha no partido e mostrou ao seu padrinho político, Geraldo Alckmin, que sua ambição era maior que a lealdade. Mesmo não deslanchando para presidente, durante a campanha para governador, ele deixou de lado o apoio ao então candidato Geraldo Alckmin na disputa à presidência. Se aproximou do candidato Jair Bolsonaro, então no PSL, e vestiu lançou a figura do "Bolsodoria" ainda no primeiro turno eleitoral.


3) Não faltaram conflitos internos com fundadores do PSDB, como o embate com o ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman, falecido em 2019, que declarou "que sempre viu Doria como um “sujeito muito ambicioso” e um “cidadão sem escrúpulo".

4) Mesmo com o embate com Jair Bolsonaro (PL) ao longo da pandemia e seu esforço na campanha de vacinação, a gestão de Doria no governo de SP terminou com reprovação de 36% e aprovação de apenas 23%, segundo pesquisa Datafolha, divulgada em 08 de abril de 2022. (vou falar da disputa interna com Eduardo Leite em outra oportunidade).

5) A aprovação de Doria no cargo de governador não garante nem a sua reeleição no estado de São Paulo. Pesquisadores e cientistas políticos consideram que, para ser reeleito, um candidato precisa ter de 40% a 60% de aprovação.


Será que Doria sairá de cena? Não se sabe ao certo. Com seu afã de galgar cargos aceleradamente em sua curta carreira política, Doria deixou a possibilidade de o PSDB não eleger o seu sucessor, pois Rodrigo Garcia é um grande desconhecido do eleitorado tucano - saiu do DEM e se filiou à sigla tucana em 2021.

O PSDB que já estava fraco na disputa presidencial, em 2018 com Alckmin, ficou ainda mais enfraquecido, pois nem candidato terá. Os tucanos precisarão pensar muito no que querem ser no futuro, o que defendem de ideias e políticas, pois o tempo de polarização com o PT ficou no passado.


*Chris Santos é uma profissional com mais de 30 anos de experiência em comunicação corporativa, assessoria de imprensa e marketing digital. Com bacharelados em Relações Públicas e em Ciências Sociais, pela USP; especialização em Gestão de Processos Comunicacionais (USP); MBA em Gestão de Marcas (Branding), pela Anhembi-Morumbi; e mestre em Comunicação e Política, pela UNIP. Tem se dedicado ao estudo de tendências nas áreas de marketing digital, jornalismo, comunicação e política e tecnologias da comunicação e informação.

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Pesquisadoras da UFPR integram Observatório Nacional da Mulher na Política




A Dra Luciana Panke, professora e pesquisadora do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Paraná e líder do Grupo de Pesquisa Comunicação Eleitoral (CEL) foi convidada para participar como consultora sênior do Observatório Nacional da Mulher na Política (ONMP), que foi lançado nesta quarta-feira (30/06/2021), na Câmara dos Deputados. A professora Dra Eneida Desiree Salgado, do setor de Ciências Jurídicas da UFPR, também integra o ONMP.

O observatório é uma iniciativa da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, em parceria com a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e tem o objetivo de ampliar as discussões sobre a participação feminina na política representativa, com base em três eixos principais: violência política contra a mulher, atuação parlamentar e representatividade feminina.

De acordo com a Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, as pesquisas serão definidas por um Conselho Consultivo, formado por deputadas federais e estaduais, pesquisadoras e representantes de organizações parceiras. No total são 18 pesquisadoras e seis universidades públicas (cinco federais e uma estadual) de todo o Brasil que participam do ONMP, entre elas a Universidade Federal do Paraná, representada por Luciana Panke e Eneida Desiree Salgado.

Segundo a Dra Luciana Panke essa é uma excelente oportunidade de aliar o conhecimento acadêmico à prática política, fomentando o debate sobre a equidade de gênero nos espaços deliberativos. “É muito importante que o conhecimento gerado na academia seja levado ao parlamento para que possamos, juntas, aumentar a visibilidade feminina na política e, assim, naturalizar a presença das mulheres na esfera pública”, destaca Panke.

Além das Assembleias Legislativas estaduais e do Distrito Federal, integram o ONMP, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Fórum Nacional de Instâncias de Mulheres de Partidos Políticos, o Grupo Mulheres do Brasil, Instituto Alziras, Instituto Artemisias, Instituto Patrícia Galvão, Virada Feminina, Women’s Democracy Netword e o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

O Poder do Digital nas eleições de 2018 é tema de evento marcado para 17/12

No dia 17 de dezembro, São Paulo recebe o evento "O poder do digital nas Eleições de 2018: o que foi isso?". Promovido pelo Digitalks, o evento traz palestras e debates com especialistas da área de comunicação, marketing e política que falarão sobre o quanto o Digital se mostrou decisivo nas campanhas brasileiras e vem tomando um espaço cada vez mais importante na comunicação política em todo o mundo.

De acordo com Gil Castillo, Consultora Política, ex-presidente da ALACOP - Associação Latino-americana de Consultores Políticos, com experiência em várias campanhas eleitorais e curadora do encontro, o evento é uma oportunidade única de ter contato com profissionais destacados, de diversas áreas, que vão ajudar a compreender a nova dinâmica das campanhas eleitorais, com foco na comunicação digital.

Alguns dos questionamentos abordados durante todo o dia são Qual a abrangência dos canais digitais nas eleições? Os meios de comunicação tradicionais perderam a eficiência? O que motiva o eleitor a votar? Qual o impacto das fake news no processo eleitoral? e A campanha é permanente?

O evento é destinado a profissionais de campanhas eleitorais, assessores políticos, da área de comunicação, marketing, publicidade, agências, representantes de veículos de mídia e profissionais que desejam se aprofundar em marketing político. Serão palestras e painéis de debates com profissionais destacados nas diversas áreas de atuação das campanhas eleitorais, como a Consultora política Cila Schulman, Vice-presidente da Idea Big Data, Dra. Karina Kufa, especialista em Direito Eleitoral e coordenadora jurídica da campanha de Jair Bolsonaro, Bruno Scartozzoni, da Story Talks, especialista em Storytelling, Guillermo Raffo, Consultor Sênior da campanha de Henrique Meirelles, Mônica Sodré, Cientista Política e Diretora Executiva da RAPS - Rede de Ação Política pela Sustentabilidade, Moriael Paiva, especialista em Marketing Político Digital, Marcelo Weiss, Consultor Político, Diretor da Tupy Company e Conselheiro do CAMP - Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político, Bruno Soller, especialista em Pesquisas Eleitorais, Arnaldo Azevedo, Diretor de Digital Advertising da Campanha de Geraldo Alckmin, entre outros palestrantes.

O evento "O poder do digital nas Eleições de 2018" acontece no Developer Hub (sede do Digitalks), que fica na Rua Oscar Freire, 2.379, Pinheiros, das 9h às 17h. As vagas são limitadas para o melhor aproveitamento. A inscrição deve ser feita no site da Digitalks, através do link https://digitalks.com.br/eventos/o-poder-do-digital-nas-eleicoes-2018-o-que-foi-isso/cc.

Mais informações através do e-mail forum@digitalks.com.br ou do telefone (11) 3159-1458.

Sobre o Digitalks

O Digitalks é a principal empresa brasileira que leva conhecimento e oportunidades de negócios através de 50 atividades anuais, preparando pessoas e transformando empresas para a nova realidade digital.

Desde 2009, o Digitalks realiza eventos em todo o Brasil, dissemina conteúdo em diversos canais de comunicação – incluindo portal de notícias, revista e TV Online –, realiza cursos de capacitação e conecta pessoas, incentivando a geração de negócios sólidos. Integrante do mesmo grupo corporativo do iMasters e E-Commerce Brasil, a empresa tem como principal objetivo fomentar o setor digital.

O projeto é um oferecimento de Bing, Dinamize, Google e Vivo Ads e é mantido pelas empresas A² Business Intelligence, Ad.Ez, All iN Marketing Cloud, Apiki, Atena, CI&T, Contentools, CRP Mango, Daryus, Linx + DCG, Digital Business, Gamned!, GTC, Havas Group, Infracommerce, In Loco, InsideOut, Leadlovers, Locaweb, Maqina, mobLee, O2 Media Response, Predicta Group, PwC, Reclame Aqui, SEO Marketing, SharpSpring, Stefanini, Sympla, Unbounce, Vídeo Click, Vitrio, Vtex, Webeleven e Wix. O projeto conta também com o apoio de Abradi, APP Brasil, Cidade Marketing, Digitais do Marketing, E-Commerce Brasil, Era Transmidia, Eventials, Fenapro, IAB Brasil, iMasters, Meio & Mensagem, Mestre GP, MMA, Mundo do Marketing, New Value, Opinion Box, Putz Filmes, Siegel Press e Startupi, além de diversos parceiros regionais. 

Serviço – O poder do digital nas Eleições de 2018
Data: 17 de dezembro (segunda-feira)
Horário: das 9h às 18h
Local: Developer Hub (sede do Digitalks) - Rua Oscar Freire, 2.379, Pinheiros
Investimento final: R$ 490,00 (confira os lotes promocionais)
N˚ vagas: 100 lugares (vagas limitadas para melhor aproveitamento)
Inscrições: https://digitalks.com.br/eventos/o-poder-do-digital-nas-eleicoes-2018-o-que-foi-isso/

Informações: forum@digitalks.com.br ou (11) 3159-1458

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Estadão promove fórum sobre campanha eleitoral e fake news no dia 11/06

Para debater marketing eleitoral e o impacto das fake news durante o período eleitoral, o Estadão realiza no dia 11 de junho, entre às 8h30h e 12h15, o Fórum Estadão FAAP Campanha Eleitoral e Fake News, no auditório da FAAP. A abertura do encontro será uma palestra com Luiz Fux, presidente do TSE e ministro do STF.

O primeiro painel “Como fazer campanha com mais ética e menos dinheiro” contará com a presença de Lula Guimarães, coordenador da campanha online de Alckmin; Caio Magri, presidente do Instituto Ethos; Rafael Cortez, cientista político da Consultoria Tendências; e Celso Matsuda, professor de marketing político da Faap.

O segundo painel “O uso das redes sociais na disputa pelo voto” tem presença confirmada de Marco Aurélio Ruediger, diretor da Diretoria de Análises de Políticas Públicas da FGV-RIO; Eugênio Bucci, professor da Escola de Comunicação e Artes da USP; Daniel Bramatti, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo; e Fabio Malini, Coordenador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Espírito Santo.

Os painéis serão mediados por Vera Magalhães, colunista do Estadão, e Edilamar Galvão, coordenadora do Laboratório de Jornalismo da FAAP, respectivamente.

Agenda
8h30: Credenciamento
9h00: Abertura
9h10: Palestra com Luiz Fux
10h00: Painel “Como fazer Campanha com mais ética e menos dinheiro”
11h00: Intervalo
11h15: Painel “O uso das redes sociais na disputa pelo voto”
12h15: Encerramento

Serviço

Quando: 11 de junho, a partir das 8h30
Local: FAAP – Rua Alagoas, 903

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Greve dos caminhoneiros e a batata quente

Hoje é dia 25 de maio, quando se completa 5 dias do início da greve dos caminhoneiros no Brasil. Análises, apoios e críticas surgem de muitos lados, junto com o esforço de identificar o "culpado" pelo movimento, como se existisse um único culpado e motivo. Todo acontecimento social, econômico e político é estimulado por uma confluência de fatores e, se tem algo que combato, é o reducionismo de explicações. O esforço de atribuição da culpa é como se fosse aquela "batata quente" da brincadeira infantil, na qual cada ator social tenta jogá-la nas mãos do outro. 

De toda forma, o Brasil, seus parlamentares, o poder Executivo (atual e os antigos) e a Petrobras continuam a lidar com os problemas de forma muito pontual e sem pensar no contexto (antes, agora e o que projetar para o futuro). E segue o baile funk e, no ar, somos envolvidos pelo "cheiro de diesel e motor queimando óleo" - uma situação caótica, na qual a greve é só a ponta do iceberg dos problemas estruturais, que podemos relacionar alguns (mas não pretendo exaurir o assunto. Atualizei este texto no domingo, dia 27/05, após acompanhar e ler mais matérias sobre o tema):

Falta de diferentes modalidades de transportes no Brasil: se, por um lado, é legítima a greve dos caminhoneiros, de outro, a paralisação expõe novamente nossa dependência do transporte rodoviário (faltam trens, transporte fluvial etc.), com estradas mal conservadas e  pouco mais de 30 mil quilômetros de ferrovias em operação, sem contar os portos. Leia mais aqui.

Rodovias em mal estado de conservação: apesar de sermos um país territorialmente extenso e baseado no transporte rodoviário, a maior parte das nossas rodovias (quase 90% dos quilômetros construídos) não é asfaltado, condições de infraestrutura que encarecem o frete pelos custos de manutenção. Leia mais aqui. A segurança nas estradas também influencia no  valor, em função do valor do seguro.

Aumento da frota de caminhões: políticas de financiamento com juros subsidiado para compra de caminhões no governo Dilma ampliou a frota e hoje o mercado tem mais oferta de profissionais, para um economia em recessão. Leia mais aqui   

Definição do preço do barril de petróleo: "O Petróleo é nosso", mas quem manda no preço do barril é a OPEP - Organização dos Países Exportadores de Petróleo (e faz tempo), que faz subir e descer conforme planejam e da qual o Brasil não é membro. Leia mais aqui.

Política de preços dos combustíveis da Petrobras: em junho de 2017, a Petrobras anunciou mudanças em sua política de preços e, a partir de 01 de julho, passou a reajustar diariamente os preços nas refinarias para acompanhar a volatilidade da cotação internacional e da taxa de câmbio, com aumentos constantes no diesel e gasolina, difícil de assimilar no mercado e que poderá afetar a inflação no longo prazo, pois afeta toda a cadeia produtiva.  Leia mais aqui

Brasil não refina seu petróleo: o Brasil extrai petróleo e importa combustível, entendeu? O Brasil produz petróleo, mas não tem capacidade suficiente para refiná-lo (transformar em gasolina e outros subprodutos). As refinarias planejadas pela Petrobras, ainda nos governos Lula e Dilma, estão anos atrasadas ou paralisadas. Sabe aquele dinheiro jogado fora na refinaria de Pasadena (EUA) e os gastos milionários com a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, uma obra ainda não finalizada na qual bilhões de reais foram gastos a mais? (ainda tem a COMPERJ no Rio). Então, anos de má gestão e corrupção, cobram seu preço na ponta, para o consumidor, para o caminhoneiro..."É certo que os US$ 11,9 bilhões arrecadados com a venda do óleo cru não bancam os gastos com o volume quase equivalente ao que o Brasil importa de combustíveis e outros derivados de petróleo", veja análise. E a OPEP não deve ver com bons olhos os esforços brasileiros de ofertar mais petróleo que eles gostariam...tá criada a celeuma (Dilma sofreu com o preço do petróleo em baixa, que derrubou a arrecadação de royalties. Ou seja, não é um assunto fácil de de lidar. Hoje, o vilão é a alta do petróleo).  Veja também esta matéria da Reuters.


Brasil perdeu o controle na cobrança de tributos desde Dilma Rousseff: com incentivos fiscais sem contrapartida verificada, REFIS para vários setores, aumento de tributos para uns setores e redução para outros, perdendo a isonomia tributária. Mas, sabe a tabela de IR na fonte? Tá congelada. E você, consumidor, que pague a conta! 

PIS/COFINS e a reforma tributária: PIS/Cofins não são impostos. Pela lei, são classificados como "contribuições sociais". Isso mesmo. São recursos para os trabalhadores (PIS) e que devem ir para saúde, educação e previdência (COFINS). Mas, tem muitos setores que recolhem pouco e outros nos quais a carga é maior. São dois tributos difíceis de se calcular. Entretanto, parte do dinheiro recolhido vai para o BNDES (aquele que empresta recursos para obras em outros países, para empreiteiras e grandes empresas). E o Governo Federal não divide os valores arrecadados com estados e municípios. Quem recolhe PIS/Cofins é o empresário. Está lá no custo total que um trabalhador representa para seu empregador, mas o trabalhador só vai ver este valor quando se aposenta ou tira aquele "aboninho" anual. PIS/COFINS representam uma grande caixa de pandora na carga tributária brasileira e na reforma que não vem. (a cobrança da CIDE é outra discussão).

Listei aqui vários fatores, sem nem entrar em aspectos políticos, questionamento sobre locaute, a Lava-jato,  falta de investimento e política para o programa de Biodiesel, como vão se comportar os fornecedores de Etanol para atender o crescimento da demanda etc. Diria que a "batata quente" é de todos os participantes, que precisam pegar a leguminosa e "descascar" juntos.     

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Rio de Janeiro sedia a conferência “Racismo e discurso de ódio na Internet: narrativas e contra-narrativas”

O Rio de Janeiro vai sediar a conferência “Racismo e discurso de ódio na Internet: narrativas e contra-narrativas”. O evento é promovido pelo Centro Berkman, da Universidade Harvard, em parceria com a Plataforma Vojo Brasil, vinculada ao Instituto Mídia Étnica e baseada em Salvador (BA). (http://tinyurl.com/jmv9nky). O evento acontece nos dias 28 e 29/04 e, no dia 30, haverá uma oficina de Mídias Digitais sobre o tema. Tudo é gratuito, mas precisa se inscrever com antecedência.

O encontro reunirá especialistas que estudam o tema no Brasil, na Colômbia e nos Estados Unidos.  Na ocasião serão lançadas as bases de um projeto de pesquisas que o Centro Berkman pretende estabelecer no Brasil, de forma colaborativa.

Quando: de 28 e 29 de abril de 2016
Local: Windsor Guanabara Hotel (Av. Presidente Vargas, 392 – Centro)

Oficina de Tecnologia:
Quando: 30 de abril de 2016
Local: Central de Produção Multimídia CPM-ECO, Av. Wenceslau Braz, 71 - Botafogo

Inscrições:
Conferência “Racismo e discurso de ódio na Internet” (http://migre.me/tsmS4 ) Oficina de tecnologias (http://migre.me/tsmPF )

sábado, 23 de abril de 2016

Marcela Temer: uma só matéria, muitas visões de mundo em debate

A matéria de Veja sobre Marcela Temer, mulher do vice-presidente da República, Michel Temer, dentro da atual conjuntura política e social, pode ser analisada e criticada por meio de diferentes perspectivas: política, quando se foca na figura de seu marido e da crise atual que envolve a presidente Dilma Rousseff; o papel da mídia e do jornalismo, se tentamos entender o objetivo da Veja e dos meios de comunicação; e do empoderamento feminino/machismo, quando se observa o texto e as reações que eles suscitaram sobre a liberdade da mulher, que tomaram a praça pública na qual se transformou a internet.

Os papeis da mulher estão em constante debate
Alguns comentários criticaram Marcela Temer por ser "do lar", como se fosse demérito se dedicar a vida doméstica. Este artigo de Ruth Manus, publicado no Estadão, faz uma bela análise deste perspectiva ao falar das mudanças da mulher na sociedade ocidental, que nem sempre segue a velocidade que gostaríamos, e contribuem para "sermos livres e respeitadas, seja no lar ou seja no bar". É a diversidade da qual tanto se fala e que ainda estamos aprendendo a conviver com ela.

Respeitando-a como esposa e mãe, afinal são escolhas femininas também, podemos falar da nossa crítica à imprensa. No caso específico, a revista Veja que, mesmo criticando a falta de empoderamento feminino em algumas reportagens, mantém vícios de abordagem em outras matérias, como nesta. Existem vários trechos a serem destacados, mas vou me ater ao final dela, onde aparece a frase: "Michel Temer é um homem de sorte", pelo perfil da mulher que tem: bela, recatada, do lar, jovem e fogosa. Então, um homem que tem uma mulher independente não é tão sortudo assim, Revista Veja? Vale lembrar que o texto traz a assinatura de uma jornalista.

Li ainda críticas ao fato de Marcela Temer ser casada com um homem muito mais velho. Mas, penso que nós nada temos a ver com o relacionamento deles. Assim como não temos nada a ver com a vida e as escolhas de homossexuais, heterossexuais ou transsexuais. Parar de cuidar da vida alheia é um treino. Podemos até conhecer a história de vida, analisar, identificar tendências de comportamento, mas sem juízos de valor de certo ou errado. Este relacionamento não fere a integridade física de ninguém - Marcela não reclama de estar algemada, de ter sido prometida na infância ou coisa que o valha. Acredito que a vida dela poderia nos interessar como cidadãos, desde que ela fizesse parte do gabinete de Temer e ganhasse algum salário público sem trabalhar. 




Cabe observar ainda que a matéria não traz uma entrevista com Marcela Temer. Parece mais uma "cozinha", texto no qual se resgata informações que já foram escritas sobre ela, somada com algum tipo de bisbilhotice sobre sua rotina familiar. Faltam a esta matéria algumas características que descrevem uma boa notícia: não trouxe dados recentes ou inéditos; não é objetiva, pois o jornalista não buscou isenção; e nem trouxe algum fato de interesse público.

Alguns outros pontos a se observar: 1) existe uma falta de conhecimento e perspectiva para algumas pessoas criticarem a matéria; 2) O próprio Lula falou que o PT vai deslegitimar Temer, ou seja, começar a guerra da propaganda negativa contra ele, o que inclui a família. Então, alguns comentários que correram nas redes sociais têm este viés político evidenciado. Sobre todas as discussões em curso, resgato as palavras da historiadora Mary Del Priore, em uma entrevista para o site da BBC: "Faz parte do mundo contemporâneo termos opiniões diferentes, a complexidade desse Brasil são os "brasis" que esse país contém". Tenha opinião, mas não faça a guerra!



segunda-feira, 7 de março de 2016

José de Souza Martins lança livro "Do PT das Lutas Sociais ao PT do Poder”

Pode ser que este post fuja um pouco do tema do blog, mas fiz questão de inserir, tanto em função do tema ser dos mais atuais e polêmicos, tanto porque tive a satisfação de ser aluna do Professor José de Souza Martins, quando cursei Ciências Sociais, na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da USP. Ele acaba de lançar o livro "Do PT das Lutas Sociais ao PT do Poder”, lançamento da editora Contexto




No livro, o Prof. Martins avalia a transformação radical do PT no exercício do poder e apresenta uma análise para quem deseja entender o que acontece na política brasileira. O sociólogo apresenta a mudança que aconteceu com o partido que lutava nas ruas e nas portas de fábrica, nas igrejas e nas universidades pregando ética e justiça social até o PT dos dias de hoje, que está diante de uma crise, afogado em polêmicas que o afasta do povo e é investigado por crimes de corrupção. Uma leitura fundamental escrita por um cientista social brilhante! Dá até saudades das aulas e do trabalho de pesquisa que realizei com ele sobre decoro na vida cotidiana das grandes cidades, que deu origem a outra obra. 





Serviço
Livro: Do PT das lutas sociais ao PT do poder
Autor: José de Souza Martins
Páginas: 256 páginas
Preço: R$ 39,90
Editora Contexto